A GERAÇÃO DO STAND BY

Há uns tempos falava com uma amiga, a Claudia Varela, de como as relações mudaram com os tempos, antigamente tudo se levava mais a sério com compromisso e hoje em dia tudo é muito volátil e lá está, sem compromisso.
Ela falou-me da geração do stand by, conceito que desconhecia mas que fez todo o sentido.

Mas o que é isso da geração do stand by? É a geração do não compromisso, do conhecer alguém mas não firmar uma ligação determinada, estamos à espera de algo melhor, esperamos uma pessoa melhor para estar ao nosso lado, por um emprego melhor, por uma qualquer outra coisa ou decisão melhor para a tornarmos definitiva. A verdade é que quase nunca chegamos ao final da linha com algo melhor com que nos comprometemos.

Vejamos nas relações, um casal conhece-se, troca contactos, fala, vão jantar ou conhecem-se de qualquer outra forma, acabam juntos e enrolados, mas ficam em stand by “estamos a conhecer-nos” é a maior e mais usual desculpa. Depois passam meses em que “se estão a conhecer” e poucas vezes passam dali, deixam portas e janelas abertas, porque pode vir a aparecer algo melhor, alguém melhor, entretanto há vidas suspensas, expectativas suspensas, ilusões suspensas e nunca passam dali. Acabam por conhecer outras pessoas e o circulo vicioso recomeça. Muitas vezes é porque as nossas expectativas estão tão altas que não deixamos ninguém entrar na nossa vida a 100%, porque queremos algo melhor, porque basta qualquer coisinha e riscamos logo uma possibilidade de futuro, andamos todos á procura do que não existe e não nos damos conta.

Há uma artigo muito bom da Visão, escrito pela Margarida Vieitez, que a Claudia me mostrou para fundamentar a sua opinião acerca do Stand By. Deixo-vos aqui o artigo para ler, chama-se “Desesperadamente à procura de Namoro” – aconselho vivamente a lerem, acredito que todos/as se vão identificar, homens e mulheres.  Não é que queiramos estar em stand by, porque todos na realidade procuramos o mesmo, ser felizes, ter alguém do lado, um futuro e muitas vezes uma familia, mas talvez estejamos a procurar da forma errada e a ser exigentes demais para ir ao encontro das nossas expectativas. A lista dos requisitos nunca é preenchida, porque é extensa e inflexível, então decidimos “saltar fora”, é preferível desapegar do que investir emocionalmente em alguém.

Mas não é só nas relações que isto se reflecte, reflecte-se também em outros aspectos da vida, como nos trabalhos / empregos, “estou aqui até me aparecer algo melhor”, como se fosse cair do céu, sem fazer o mínimo de esforço por algo melhor ou até mesmo aceitar o bom que se tem, sem pensar que nada é perfeito e que há sempre aspectos menos bons em todos os trabalhos, coisas de que não gostamos tanto, dias em que não nos apetece. Aprendemos a viver assim e nada fazemos para deixar de o fazer e, por consequência deixamos de evoluir, travamos a nossa própria felicidade.

Beijos, Seni.

1 Response

  1. Onlinepharmacycanada
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    4 Junho 2018 at 5:23 pm

    Seni Silva, thank you for this post. Its very inspiring.

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