INFLUENCERS, MICRO-INFLUENCERS, AGÊNCIAS DE COMUNICAÇÃO, MARCAS E MARKETING DIGITAL DE INFLUÊNCIA

Ontem no instagram rolaram uma série de partilhas, houve duas que me chamaram a atenção.

A da Madalena Abecacisinstagramer (porque tem o seu canal no instagram ahah) e micro-influencer em que fez um quiz de sondagem aos seus seguidores em que muitas das perguntas tinham a ver com unboxings, influencers receberem produtos, partilhas e publicidade, a maioria respondeu a achar que era tudo uma fantochada sem interesse (atenção isto foi direccionado ao nicho de seguidores dela, talvez outra influencer fazendo o mesmo quiz de sondagem tenha respostas diferentes pois são seguidores diferentes logo os interesses e opiniões variam).

Outro post que rolou e me chamou a atenção foi o da Li Furtado – fundadora da marca Cinco Store um marca de joalharia – que fala de como as influencers ou micro-influencers andam perdidas, de como mal comunicam, etc.

 

Eu vou falar-vos um bocadinho disto, de forma simples e desconstruída, mas primeiro vou falar de mim e qual a minha posição profissional para perceberem o porquê de falar e de como falo.

Considero-me uma micro-influencer, tenho alguns seguidores e um blog onde partilho o que gosto, no instagram faço o mesmo, recebo alguns produtos de marcas e faço trabalhos remunerados de publicidade para marcas. Além deste mundo digital, tenho formação em Design pelo IADE e em Marketing Digital pela FLAG, além do blog e instagram trabalho a full-time como PR e Marketing Manager num grupo de restauração. Estas são as bases com que vos vou falar do assunto.

Falo nisto porque vi mais comentários e criticas de quem está do outro lado, no lado de quem lê ou vê, de quem recebe informação. E porque tenho visto constantemente alguns stories até de pessoas que sigo a falarem sobre o assunto, apontando o dedo a quem faz publicidade a leite e a queijos. Mas vamos por partes.

O marketing digital é um mundo recente, que está a entrar em força em Portugal, está rapidamente a ganhar terreno sobrepondo-se aos meios tradicionais – tv, rádio, imprensa – a força das redes sociais é imensa e todas as marcas estão a apostar nela.
O problema é, como em qualquer nova área que surja, ainda estamos a perceber como isto funciona. As marcas estão a tentar perceber como entrar neste mercado, as agências de comunicação e marketing digital estão a tentar posicionar-se tentando ganhar terreno, as influencers ou micro-influencers querem ganhar visibilidade e ter trabalho.

 

As Marcas: 
Hoje em dia são poucas as marcas que trabalham por si só, têm departamentos de comunicação mas elas passam os trabalhos a agências de comunicação e marketing digital, fazem briefings dizem o que pretendem, como e quando, qual a imagem a passar, todas as directrizes e as agencias que “resolvam” e lhes apresentem bons números com o menor budget possível.

As Agências de Comunicação e Marketing Digital:

Muitas delas há dois ou três anos nem sequer existiam. Começaram a  trabalhar com marcas, querem ter o máximo de campanhas possíveis, ganhar o mais possível, trabalhar com todas as influêncers e micro-influencers possíveis.

Diferenças:

Agências de comunicação – comunicam o produto, com PR (press release) que enviam para as bloggers ou influencers, organizando eventos onde bloggers e influencers são convidadas e oferecem produtos para as mesmas poderem experimentar e partilharem a sua experiência – criação de conteúdo.

Agências de Marketing Digital ou de Influência –  é quem trabalha a coisa em si, organizam e coordenam as campanhas.  Recebem o briefing e o budget, escolhem as influencers com quem querem fazer a campanha, fazem a proposta – as influencers têm poder de decisão se querem ou não aceitar – quem aceita recebe o briefing da campanha e tem que o seguir à risca.

 

Influencers ou Micro- influencers:

Influencers têm um bom publico são seguidas por milhares de pessoas, trabalham obviamente com muitas marcas, partilham o seu dia a dia e tudo mais.
Micro-influencers têm menos seguidores mas isso não faz com que não sejam influencers, são micro, podem ter 10k de seguidores mas são capazes de influenciar quase a totalidade dos seus 10k, ao contrário de quem tem um público mais vasto como por exemplo 100k ou até 1M, pode ser vasto mas só uma pequena percentagem interessará. Ao contrario do que se pensa, números são número e não são o mais importante, acho que só agora as marcas e agências começam a perceber isso.

Recebem produtos para partilhar conteúdo que a maioria das pessoas acredito que queiram ver, caso contrario não tinham pessoas a seguirem as suas contas ou os seus blogs, fazem campanhas publicitárias porque começou a haver essa procura da parte das marcas, perceberam o seu potencial e, se fazem conteúdo que dá trabalho e é necessário despender tempo até mesmo dinheiro para o fazer, devem ser remuneradas como em qualquer outro trabalho.

Agora aqui há dois tipos:

Influencers que aceitam tudo o que lhes aparece à frente

Influencers que só aceitam e partilham aquilo que gostam, consomem e faz sentido para elas.

É ai que os seguidores têm que ser razoáveis e pensar um bocadinho, se querem seguir alguém que é autentico e verdadeiro naquilo que partilha ou apenas está ali para despejar informação. Vejo muitos seguidores a queixarem-se da publicidade mas eles não perceberam ainda que o poder de decisão está neles e no simples facto de serem eles a terem o poder de carregar no botão de seguir ou deixar de seguir. Logo, desculpem mas não se queixem, deixem apenas de seguir porque não são obrigados.

 

O facto das marcas não saberem ainda estar neste mundo, da fome das agências de marketing de influência em quererem ter todas as campanhas e o facto das influencers aceitarem qualquer trabalho, tudo resulta num mau trabalho, ou num trabalho menos bom que é passado aos seguidores.

Mas por favor, percebam que isto é normal acontecer em qualquer área nova que surja no mercado e, percebam também que nos estamos todos a tentar ajustar à nova realidade.

Senti-me um pouco afectada por ver um storie de uma pessoa que sigo e que me segue também, em que tem vindo sempre a falar das pessoas que fazem publicidade a queijos e a leite. Mas já vi muitos mais!

Eu já fiz várias campanhas remuneradas, seja a queijos seja a leite e sinceramente não consegui ainda perceber o que mal tem isso.

Leite – foi para a marca Terra Nostra, uma marca com que me identifico e que consumo diariamente em casa, eu não consumo outras marcas, como Mimosa ou Parmalat, às vezes leite de soja para bolos, só e apenas. Depois o leite provém de produtores certificados do programa Leite de Vacas Felizes, o que me deixa também a mim feliz. Então porque não me haveria eu de juntar à marca para uma campanha remunerada?

Queijinhos a Vaca que Ri, consumo os triângulos desde pequena, levava para a escola, como em casa a e nutricionista até aconselhou os light, quando estavamos a fazer a campanha ainda me lembro da Ines Brusselmans enviar fotos do seu frigorifico carregado de queijinhos, porque é uma real consumidora também. Então porque não a fazermos?

Posso compreender que por razões monetárias algumas influencers aceitem campanhas ou publicitar produtos que não gostem nem consumam, aceitando apenas e só pela remuneração, é dinheiro e todos precisam dele para viver, mas se concordo? Não, não e não! E de mim não esperem ver uma campanha com que não me identifique ou com um produto ou serviço que não vá ao encontro da minha maneira de ser e estar na vida, dos meus princípios, gostos ou consumos. Já disse muitas vezes “não” a marcas, a campanhas e a agências de comunicação. Não me interessa comunicar coisas que não fazem sentido para mim, mas isso sou eu.

E como me perguntaram: ” Mas farias publicidade se não tos fossem oferecidos?”. Não me foram oferecidos, foram comprados por mim, a campanha é que foi remunerada, sendo que no meu dia a dia eu já faço publicidade a muita coisa que não me é paga, portanto… provavelmente, mais dia ou menos dia os queijinhos iriam aparecer numa partilha qualquer.

O mais grave, é que muitos comentários e criticas menos boas vêm de pessoas que basicamente fazem exactamente o mesmo, pedem likes em stories, passam o fim-de-semana a fotografar para terem conteúdo para publicar durante a semana no instagram, muitas delas têm também blogs e até fazem posts no instagram a marcas, sem serem remuneradas por isso. Algumas até fazem stories a dizer como é injusto este mundo do instagram em que não conseguem crescer, e que as grandes é que estão bem, o que para mim só reflete numa coisa: falta de consciência e coerência. Porque no fundo querem e gostavam de estar no lugar de quem recebe coisas ou trabalha nisto.  E isso deixa-me triste, verdadeiramente triste e revoltada, porque nós devíamos apoiar-nos umas às outras, devíamos ser mais umas para as outras, e não apontar o dedo, porque lembrem-se quando apontam um dedo a alguém têm outros três a apontar para vós. Critiquem mas de forma construtiva, as redes sociais servem para partilhar, portanto façam o favor de partilharem o bem.

Com isto já calculam que vou perder alguns trabalhos né, provavelmente alguns seguidores, mas que se lixe! Ahahah.

Beijos, Seni.

 

 

 

 

 

 

 

3 Responses

  1. Vera
    Responder
    13 Junho 2018 at 1:40 pm

    Bom post! 😉

  2. Ana Martins
    Responder
    13 Junho 2018 at 10:21 pm

    Adorei tudo o que disses-te. É bem sincero e genuíno e é mesmo isso que gosto (_

  3. Sofia
    Responder
    13 Junho 2018 at 11:04 pm

    E quem fala assim não é gago! Estou completamente de acordo contigo. As pessoas e eu noto que, principalmente as mulheres, passam a vida a apontar o dedo umas às outras, a criticar, a invejar a vida alheia… é tão triste e tão feio. Juro que às vezes me sinto envergonhada por saber que existem principalmente mulheres assim, que só sabem criticar e dizer que aquilo que a outra tem é feio, ou é isto e aquilo. Feio?! Feio é ser invejoso, só saber apontar o dedo e até por vezes ofender. Eu confesso que já tive no meu instagram alguém que me disse que eu tinha uma fotografia com produtos de maquilhagem iguais aos dela, e que me atacou por isso. Era apenas uma foto de produtos de maquilhagem… isto é triste. Imensas pessoas neste planeta terão produtos iguais, com fotos semalhantes, enfim. Acho sinceramente que este mundo seria muito melhor, no dia em que, repito: principalmente as mulheres, se lembrassem que todos os dias se deviam entre-ajudar, apoiar, e não só no dia 5 de março, como sempre se faz. Nós somos mulheres o ano inteiro, e acho que todos os dias deveríamos pensar, não só no nosso próprio umbigo. Ajudar não custa, apoiar não custa. Mas parece que para muita gente, apontar o dedo é sempre mais fácil, e até lhes levanta o ego. É triste, mas é muito muito bom saber que existem pessoas que pensam de forma completamente oposta a tudo isto, como tu ❤️

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